A pílula contraceptiva (ou contracepção oral)

Quando se trata de escolher sua contracepção, muitas mulheres recorrem à pílula contraceptiva, que é uma modo de contracepção oral em comprimidos.

Estes comprimidos contêm hormônios, que atuarão nos ovários, bloqueando a sua função de ovulação. Se o óvulo não é produzido, os espermatozoides não tem nada para fecundar.

Três grandes famílias de pílulas contraceptivas:

  • A pílula contraceptiva de minidose (estroprogestativa) ou combinada, contém dois tipos de hormônios, um progestógeno de síntese, combinado com um estrogênio (etinilestradiol), variando em dose (de 15 a 50 mg de acordo com as pílulas). É a mais utilizada das pílulas contraceptivas, ela é encontrada em maioria entre as diferentes referências presentes nas farmácias (verifique a tabela mais abaixo).
  • A pílula contraceptiva de microdose (progestativa) contém apenas um tipo de hormônio, o progestógeno. Ela não contém estrogênio. O progestógeno pode ser de tipo diferente (75mg de desogestrel ou levonorgestrel). Esse comprimido deve ser ingerido continuamente, ou seja você toma um comprimido diariamente, sem interrupção.
  • A pílulas contraceptivas sequenciais contêm cartelas com dois tipos de hormônios em comprimidos diferentes. Os comprimidos presentes no início da cartela contêm somente estrogênio. Em seguida, do 7º ao 14º comprimido (varia segundo o tipo de pílula), os comprimidos se tornam combinados pois o hormônio progestativo é adicionado. Esta sequência imita o ciclo menstrual natural da produção de hormônios.

Não confunda as pílulas de minidose e as de microdose, que diferem pela sua composição, mas também pelo seu modo de ação.

Como a pílula age no organismo e na menstruação?

O modo de funcionamento da pílula de minidose é triplo.

  1. Ela age primeiramente direto nos ovários bloqueando o mecanismo da ovulação, que tem como objetivo produzir um óvulo a cada mês.
  2. Em seguida, os hormônios também atuarão no modo de ação do útero e de sua mucosa, cujo papel é criar um ecossistema propício para receber o óvulo (que é ligado à parede uterina). Com isso, a implantação não é mais possível.
  3. Enfim, esta pílula contraceptiva age na entrada deste mecanismo de reprodução, simplesmente impedindo que os espermatozoides entrem no colo do útero, onde as secreções (muco do colo do útero) são mais propensas a deixar o campo livre

O modo de funcionamento da pílula contraceptiva de microdose é sensivelmente a mesma da pílula contraceptiva de minidose, contudo com uma diferença. De fato, se elas também bloqueiam a implantação e entrada dos espermatozoides, o bloqueio da ovulação não é sistemático e varia de acordo com as pílulas.

Pílula contraceptiva de minidose, de microdose : porquê?

A principal vantagem da pílula contraceptiva de minidose é que ela proporciona hemorragias de privação muito regulares, menos abundantes e menos dolorosas.

Isto é precisamente onde está o problema para a pílula de microdose, pílula que possui a desvantagem de interromper as hemorragias de privação.

A de microdose vai justamente provocar seja uma ausência total das hemorragias de privação, ou pequenos sangramentos aleatórios, assim como pode permitir o aparecimento das mesmas a cada 4 semanas.

Contudo, a pílula de microdose é mais adequada para fumantes e para mulheres com complicações de saúde (colesterol, diabetes, hipertensão arterial, história de embolia, flebite). Também é recomendada para mulheres que acabaram de dar à luz e aquelas que amamentam. A pílula contraceptiva sequencial também é prescrita em certos casos, especialmente após uma interrupção voluntária da gravidez por curetagem.

Como tomar a pílula contraceptiva?

Quando você faz uso da pílula, especialmente pela 1ª vez, pode parecer mais como um inconveniente do que como uma maneira de facilitar a vida. Sem pânico, basta iniciar o uso adequadamente e se habituar às regras simples escritas aqui.

O contraceptivo possui uma cartela de 21 ou 28 comprimidos.

As cartelas de 21 comprimidos são somente de minidose, no entanto, as que contêm 28 pílulas compreendem os dois tipos (mini e microdose).

Para uma cartela de 21 comprimidos:

  1. Tomar a pílula contraceptiva pela 1ª vez no 1º dia da menstruação, e se recordar do dia, porque será neste dia que você começará toda nova cartela (segunda-feira, terça-feira).
  2. Tome o 1º comprimido por dia em horários fixos. Um lembrete no seu celular pode ser muito útil se você é esquecida ou se você é iniciante no uso da pílula. As pílulas deverão ser tomadas durante 21 dias consecutivos.
  3. O 22º dia é sinônimo de interrupção do uso da pílula, e essa interrupção levará 7 dias. A hemorragia de privação ocorre então, durante este período.
  4. No 8º dia, é o dia de retomada da pílula abrindo uma nova cartela (o dia deve ser o mesmo que o dia de início).

Para uma cartela de 28 pílulas :

  1. A etapa 1 permanece a mesma
  2. Tomar 1 comprimido por dia em horários fixos. As pílulas deverão ser tomadas durante 28 dias sem interrupção. A hemorragia de privação chegará durante as 7 últimas pílulas da cartela, que são de fato placebos. Isso pode ser útil caso você seja ainda mais esquecida e caso um lembrete diário não seja suficiente!
  3. No 8º dia, inicie uma nova cartela. Não há portanto, interrupção entre as duas cartelas

Vantagens e inconvenientes: esclarecimento sobre os mitos.

Todas as pílulas contraceptivas têm uma vantagem, a primeira é que elas são bem toleradas. Conte em média 3 meses para julgar se uma pílula é adequada ou não, período após o qual você pode considerar outra pílula contraceptiva, caso os efeitos indesejáveis persistam.

  • A pílula engorda

De fato, a pílula contraceptiva não faz engordar, ainda menos, as de nova geração que agem nas doses. Mas ela aumenta o apetite. Se você constatar um apetite mais elevado, você poderá tentar adotar um equilíbrio alimentar mais rigoroso que o seu habitual, e após os 3 primeiros meses, isto se tornará normal. Esteja ciente, no entanto, que se este ganho de peso ocorrer, será mínimo.

  • Posso fumar enquanto utilizo a pílula?

É contraindicado, porém não impossível ou proibido. Em primeiro lugar é uma questão de antecedentes, hábitos e também uma questão de idade.

Se você fuma muito, possui alguns antecedentes, e contraindicações reveladas, escolha de preferência uma pílula contraceptiva de microdose que oferece menos risco.

Se você tem menos de 35 anos, e nenhuma história ou contraindicação particular, tome a pílula normalmente, mas multiplique as consultas e avaliações.

Se você tem mais de 35 anos, é aconselhável alterar o modo de contracepção para uma contracepção não combinada, ou seja, não hormonal.

  • A pílula causa depressão.

Existem muitas mulheres que declaram se sentir um pouco mais deprimidas ou até mesmo bastante depressivas, no período de uso da pílula.  Além deste sentimento, os estudos (Depressão como um efeito colateral da pílula contraceptiva, parecer de um expert na área de segurança dos medicamentos, de julho de 2007) mostram que entre todas as mulheres que se declararam depressivas ou deprimidas, duas vezes mais mulheres estavam utilizando a pílula estroprogestativa (pílula contraceptiva, implante ou adesivo).

É preciso esclarecer este fato. A pílula ou a ingestão de estroprogestativos não é a única causa da depressão, caso você já esteja em um estado de ansiedade, stress, angústia ou se já está em um estado de depressão.

  1. Estas são primeiramente as mulheres que já tiveram uma história depressiva e que estão mais expostas aos efeitos depressivos da pílula contraceptiva. Episódios de depressão podem ocorrer em mulheres habitualmente sem problemas de depressão, mas isso é muito raro..
  2. Em seguida, o segundo ponto leva em consideração que, se as modificações de humor devido aos hormônios podem levar à depressão, são especialmente as mudanças complementares mais notórias do organismo de algumas mulheres (ganho de peso, acne, perda da libido) que podem desencadeá-la.

Para compreender melhor estes fenômenos, é necessário saber que os hormônios contidos em uma pílula contraceptiva interferem com outros elementos presentes no nosso organismo:

A vitamina B6, essencial na formação do humor. Seu papel é de sintetizar outras substâncias como a serotonina e a dopamina, que são neurotransmissores que possuem um impacto no humor dito “feliz”. No entanto, o estrogênio das pílulas contraceptivas impedem que a vitamina cumpra sua função, ocasionando então uma carência de vitamina B6 e um desequilíbrio dos neurotransmissores, afetando assim o humor.

Para neutralizar os efeitos depressores da pílula, você pode aumentar seu consumo natural da vitamina B6. Um consumo bom e eficaz neste caso, é em torno de 50mg por dia. Encontrada em peixes principalmente no salmão, nas carnes, especialmente carne de cordeiro (na qual o fígado é muito rico desta vitamina), mas também muitos cereais completos (muesli, cereais de café da manhã) e até mesmo arroz integral.

Todos estes alimentos ricos em vitamina B6, podem ser associados a um aporte maior em magnésio. A combinação de ambos irá amplificar os efeitos da vitamina B6 e melhorar as ações dos antidepressivos. Águas especialmente ricas em magnésio (Contrex, Hepar). Assim, um complemento de 200mg de magnésio é suficiente para ajudar a superar os transtornos de humor.

  • A pílula contraceptiva diminui a libido

Estudos científicos sobre este tema são divergentes, e não foi encontrado nenhum consenso sobre a questão.

Se 20-40% – uma escala um tanto quanto abrangente – de mulheres que fazem uso da pílula contraceptiva declaram que sofrem diretamente o modo de ação da pílula que visa bloquear a fabricação de testosterona pelos ovários, acarretando uma queda na taxa de 50%.

No entanto, este hormônio está implicado primeiramente no desejo sexual.

Assim, as mulheres que veem a sua libido dar um salto no meio do ciclo, terão mais tendência a sentir os efeitos desta baixa na testosterona.

Da mesma forma, as mulheres que tomam uma pílula de natureza estrogênica (particularmente na luta contra a acne) também verão mais significativamente uma diminuição da libido, porque afeta diretamente a testosterona. Por outro lado, uma outra parte das mulheres relatam o aumento da libido, em razão do sentimento de liberdade e da baixa de preocupações que pesam sobre elas.

  • A pílula contraceptiva causa acne

Tudo depende do progestógeno e sua natureza.

Para pílulas contraceptivas de 1ª e 2ª geração, o progestógeno é mais aproximado ao andrógeno, os personagens masculinos responsáveis e do aumento de acne. Estas são pílulas de natureza progestativa adequadas para mulheres com perfil estrogênico (forte volume das menstruações, com o inchaço das mamas, e peso nas pernas) que não sofrerão com os efeitos da acne provocados pelo hormônio.

Por outro lado, evite estas últimas caso você tenha um perfil progestativo (tendência à acne, crescimento de pelos) e prefiram uma pílula de natureza estrogênica. Estas são especialmente aquelas cuja a natureza progestativa é o drospirenona. Este hormônio tem efeito antiandrogênico considerável e terá um efeito importante na diminuição da acne. Enfim, as pílulas de microdose (progestativas) podem favorecer a acne, caso você esteja sujeita a problemas de pele.

  • A pílula contraceptiva aumenta o risco de câncer nos ovários

Não, de fato, esse método de contracepção diminui esta chance. Um estudo recente constatou que 200.000 é o número de casos de câncer do endométrio evitados graças ao uso da pílula combinada estrogênica. O efeito benéfico da progesterona é evitar a divisão celular anormal e a formação de câncer no corpo do útero. Esse efeito protetor dura após a interrupção do uso da pílula contraceptiva combinada. A pílula contraceptiva também é prescrita para a prevenção de cistos nos ovários. Ela também é eficaz contra as doenças de inflamação pélvica (todas as doenças sexualmente transmissíveis, que afetam o sistema reprodutor e que sem tratamento, podem provocar a infertilidade), sintomas associados à endometriose (dor intensa durante a menstruação, causada por um refluxo de sangue da menstruação do útero para o abdômen), dismenorreia (dor menstrual sentida no abdômen inferior, cuja origem é pouco conhecida) e diminui o risco de anemia.

  • A trombose

Este risco existe, mas é muito baixo. Significa a formação de um coágulo sanguíneo em uma veia, com a preocupação de que este coágulo se forme em uma veia dita secundária ou uma veia profunda, uma artéria principal, e bloqueie seu funcionamento. Se este coágulo impede o sangue de retornar ao coração, é uma flebite. Se este coágulo eventualmente se desfaz, ele é levado para a circulação normal e chegará ao pulmão, composto de vasos bem menores para deixar passar o coágulo. Ele serão bloqueados, o sangue não circulará mais e não alimentará os pulmões :  É a embolia pulmonar.

O risco tromboembólico (acidentes cardiovasculares, de flebite e de embolia pulmonar) pode ser aumentado de fato com a ingestão da pílula contraceptiva. No entanto, convém recordar que este risco é limitado e raro, na ausência de fatores agravantes.

Mencionamos este tema um pouco mais abaixo.

Uma pílula contraceptiva, por gerações.

Existem 4 gerações de pílula contraceptivas, cuja a diferença é a dose e a natureza progestativa dos seus componentes. Isto também se refere à uma evolução no tempo, qualificação em matéria de riscos e efeitos colaterais associados.

A aparição de gerações sucessivas de pílula tem o objetivo justamente de reduzir os efeitos colaterais.

As pílulas de 1ª geração são aquelas que possuem dose mais alta em estrogênios (natureza progestativa : noretisterona).

Os efeitos colaterais são inchaço nas mamas, náuseas e enxaquecas, com risco de problemas vasculares. Existe somente um que é comercializado e reembolsado: Triella.

As pílulas de 2ª geração fazem referência ao progestógeno utilizado (o levonorgestrel) visando a redução dos efeitos colaterais da 1ª geração. Elas estão sempre entre as mais utilizadas e prescritas pelos médicos (Minidril, Adepal, Trinordiol, Leeloo Gé, Daily Gé).

De fato Leeloo, Microginon et Minidril são as pílulas de 2ª geração mais vendidas na Portugal, pois elas são geralmente bem toleradas. Elas têm em comum uma natureza progestativa, no sentido em que são adequadas para as mulheres que sofrem de dismenorreia, ou seja, menstruações dolorosas, acompanhadas de menorragias e hipermenorreias, ou seja, menstruações de volume forte e longa duração.

As pílulas contraceptivas de 3ª geração são aquelas em que a dose de progestógeno é um derivado sintético (gestodeno, desogestrel, norgestimato e dienogest), e reduzem os efeitos colaterais associados com náuseas, dor mamária e acne.

Como resultado, as pílulas de 3ª geração são mais de natureza estrogênica, ao contrário de pílulas de 2ª geração. São, portanto, adequadas para mulheres com tendência a desenvolver facilmente acne, aquelas que têm um perfil progestativo. Estas são pílulas como Dianette, sendo primeiramente um tratamento antiacne.  Mercilon possui, além da vantagem de ser eficaz contra a acne, o benefício de agir contra a endometriose.

Cerazette é uma pílula chamada de 3ª geração, mas não é no entanto, uma pílula combinada estroprogestativa. É uma pílula pura progestativa que é adequada para mulheres que não toleram o estrogênio.

As pílulas de 4ª geração possuem um progestógeno de síntese de última geração (drospirenona ou clormadinona), e são ainda mais eficazes contra os efeitos colaterais ligados à acne. Eles também possuem doses mais baixas de hormônios. É especialmente o caso de Yasmin, que também possui efeitos diuréticos eficazes na diminuição da retenção de líquido e hipertensão. A particularidade do Qlaira é que seu hormônio estrogênico é natural, com o benefício de proteger o ecossistema uterino e vaginal, além de ser eficaz contra a acne.

Quais são os riscos, efeitos colaterais e contraindicações?

Esses métodos foram objeto de polêmica, tendo em vista que, ainda que sua eficácia e limitação dos efeitos colaterais se apresentem altas, seus inconvenientes e riscos para a saúde seriam mais importantes que para aquelas de 2ª geração. As pílulas de 3ª geração seriam ainda mais frequentemente responsáveis por tromboses venosas, com um risco de, segundo a Agência Nacional de Segurança do Medicamento:

  • 0,5 a 1 mulher por 10.000 mulheres não usuárias de pílulas ;
  • 2 mulheres por 10.000 usuárias de pílulas estroprogestativas (de 2ª geração);
  • 3 a 4 mulheres por 10.000 usuárias de COC à base de desogestrel ou gestodeno (3ª geração) ou à base de drospirenona.

No entanto, é necessário esclarecer os fatos, recordando que, a título de comparação, o risco de trombose venosa para as mulheres grávidas é de 6 casos por 10.000 mulheres. Além disso, a Comissão Europeia impôs a manutenção da comercialização, após uma enquete efetuada entre 2013-2014 pela Agência Europeia do medicamento, que concluiu que, se o risco é maior em mulheres com mais de 30 anos de idade e que sofrem de obesidade, a contracepção estroprogestativa é em geral mais frequente, para casos de trombose venosa nas mulheres.

Portanto, nenhuma pílula contraceptiva a evita, a não ser as pílulas progestativas (contendo um só hormônio, as de microdose). Esta reformulação é acompanhada de um reforço de limitações ligadas à sua utilização (especialmente para mulheres com mais de 30 anos e obesas), prescrição, e melhores informações sobre as contraindicações. O que se deve saber é que uma pílula de 3ª ou 4ª geração não é prescrita como 1ª opção por um médico, que fará uma prescrição de uma pílula de 3ª ou 4ª geração após ter verificado os riscos de trombose ligados ao seu patrimônio genético, familiar e social.

Para resumir, as pílulas contraceptivas, todas as gerações, induzem ao risco de trombose pois elas estimulam a coagulação sanguínea, com um risco multiplicado por dois para 3ª e 4ª gerações da pílula. É necessário portanto, eliminar alguns fatores de risco e respeitar as contraindicações.

Os riscos são da ordem de acidente vascular (cerebral, pulmões)

As contraindicações associadas a estes riscos são : 

  • Antecedentes, riscos ou existência de trombose, embolia pulmonar, de flebite.
  • Antecedentes, riscos ou existência de acidentes cardiovasculares
  • Antecedentes, riscos ou existência de hipertensão arterial
  • Antecedentes, riscos ou existência de câncer de mama ou do colo do útero
  • Algumas doenças autoimunes
  • Anomalias genitais ligadas à perda de sangue não explicadas e recorrentes
  • Antecedentes, riscos ou existência de doença ou infecção hepática grave (hepatite)
  • Mulheres grávidas ou amamentando.

Além disso, certos estilos de vida e de situações, são fatores de risco pouco compatíveis com métodos de contracepção e necessitam de fato de um maior monitoramento :

  • Idade
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Diabetes e taxa glicêmica aguda (lipídios e glicídeos)
  • O uso de outros medicamentos (barbitúricos e soníferos, rifampicina e antiepiléticos, griseofulvina para tratar micoses nos cabelos, unhas e pele, alguns anticonvulsivos, alguns antiasmáticos, e outros medicamentos contra a tuberculose.) A lista não está completa, por favor, discuta com seu médico caso você tome algum medicamento de longa duração.

São estas análises, testes e pesquisas sobre risco de trombose – ou de todo outro fator de risco – que seu médico deverá realizar antes de orientar o uso de uma pílula de 3ª ou 4ª geração. Além disso, por estar ciente dos sintomas da trombose, o risco de desenvolvê-la diminui.

Enfim, independentemente da geração da pílula, um acompanhamento médico e ginecológico regular deve acompanhar o uso de uma pílula contraceptiva, para identificar estes riscos regularmente (exames de mama e de útero, monitoramento da pressão arterial, exame metabólico das taxas de lipídios e glicídios).

A pílula contraceptiva é eficaz?

Sim. Simplesmente.

Houve naturalmente uma eficácia objetiva quanto à fabricação, composição e modo de ação da pílula, mas também uma eficácia mais subjetiva, ligada ao comportamento de cada uma. É necessário respeitar seu modo de administração, ter uma disciplina quanto à periodicidade da ingestão das pílulas, evitando esquecimentos repetidos. As pílulas são também eficazes desde o 1º comprimido ingerido (mais uma vez, se ingerido corretamente), e durante todo o ciclo, mesmo durante a interrupção.

Para julgar eficaz este método de contracepção, podemos nos basear em dados estatísticos que identificaram o número de mulheres que ficaram grávidas, apesar de seu uso em perfeitas condições.  A taxa é de 99%.

Quanto à sua eficácia na prática, tendo em vista todos os descuidos e erros comportamentais, observou-se que a taxa permaneceu muito alta, apesar de tudo, pois a taxa de êxito da pílula estroprogestativa é de 96% enquanto que a progestativa é de 99%.

Esquecimento da pílula contraceptiva: o que fazer?

O esquecimento da pílula contraceptiva pode ocorrer. Excesso de trabalho, acontecimento imprevisto, impossibilidade de ir para casa… ou simplesmente porque você mudou de bolsa pela manhã, as razões são muitas e oportunidades não faltam para esquecer de tomar a pílula! No entanto, é necessário agir rápido, e ter bons reflexos dependendo da pílula que você utiliza. De fato, as ações e procedimentos variam, e dependerá se sua pílula for progestativa, estroprogestativa, 21 ou 28 comprimidos, com um número de comprimidos inativos…

Se o seu contraceptivo for uma pílula de minidose :

>Se o esquecimento for inferior a 12 horas, você tomará o comprimido esquecido e continuará a ingestão normalmente do próximo comprimido e até o fim da cartela. Não se preocupe, você está e continua protegida de uma eventual gravidez.

>Se o esquecimento for superior a 12 horas você deve ingerir o comprimido esquecido assim que se lembrar do esquecimento. Você irá tomar normalmente o próximo comprimido. Um esquecimento de mais de 12 horas é um risco, e você não está totalmente protegida imediatamente após a ingestão do comprimido. É necessário então considerar diferentes procedimentos a seguir em função dos diferentes casos:

Se você teve relações sexuais nos 5 dias precedentes ao esquecimento, tome a pílula do dia seguinte

Se você teve relações sexuais nos 7 dias após o esquecimento, adicione um preservativo além da sua pílula contraceptiva.

Outras eventualidades devem ser consideradas com este modo de contracepção, especialmente se você fez uso da pílula ao estar doente. Você poderá ter diarreias ou vômitos, pois se eles ocorrem 4 horas após a ingestão da sua pílula, pode ser sinal de uma não assimilação ou de uma evacuação precoce da pílula não dissolvida no seu estômago. É um risco, você deve então retomar um comprimido imediatamente.

Se a sua pílula contraceptiva é uma pílula de microdose, a escala de tolerância é menor. É necessário retomar as indicações acima e aplicá-las para um esquecimento inferior ou superior a 3 horas (e não 12 horas).

Página revista em: 31 Dezembro 2020 por Dr. Ricardo Hernández, Médico por 16 anos