Saúde sexual e reprodutiva · Guia em Portugal
Contraceção: comparar métodos e escolher com informação
Pílula, DIU, implante, anel, adesivo ou preservativo? Conheça as diferenças de eficácia, utilização e cuidados para encontrar uma opção adequada à sua saúde e à sua rotina.

Comparar os métodos: eficácia no dia a dia
Utilização típica inclui esquecimentos e outros erros. Utilização correta significa seguir sempre todas as instruções. Os valores abaixo referem-se à prevenção de gravidez ao longo de um ano, não a uma relação isolada.[2]
No telemóvel, deslize a tabela na horizontal.
| Método | Uso típico | Uso correto | Como se utiliza |
|---|---|---|---|
| Implante | Mais de 99% | Mais de 99% | Progestativo; colocado sob a pele do braço. |
| SIU hormonal | Mais de 99% | Mais de 99% | Progestativo; colocado no útero. |
| DIU de cobre | Mais de 99% | Mais de 99% | Sem hormonas; colocado no útero. |
| Injetável | 94% | Mais de 99% | Hormonal; requer injeções nos intervalos previstos. |
| Pílula combinada ou progestativa | 91% | Mais de 99% | Toma diária, conforme o esquema. |
| Adesivo ou anel vaginal | 91% | Mais de 99% | Hormonal; rotina semanal ou mensal, conforme o método. |
| Preservativo externo | 82% | 98% | Sem hormonas; em cada relação. |
| Preservativo interno | 79% | 95% | Sem hormonas; em cada relação. |
| Observação da fertilidade | 76% | 91% a 99% | Sem hormonas; exige aprendizagem e registos. |
São estimativas populacionais, não uma garantia individual nem taxas medidas especificamente em Portugal. A tabela utiliza uma única fonte para manter a comparação coerente. Os preservativos também ajudam a reduzir a transmissão de IST.[2][7]
Como escolher um método contracetivo?
A contraceção permite reduzir a probabilidade de gravidez e planear se e quando se pretende ter filhos. A escolha é pessoal e deve ser apoiada por informação clínica. Não existe um método ideal para todas as pessoas.[1]
Na consulta, explique a sua rotina, as preferências quanto às hemorragias, o desejo de engravidar no futuro, as doenças e os medicamentos que utiliza. A acessibilidade e o custo também fazem parte da decisão.
Pílula combinada e pílula só com progestativo
A pílula combinada contém estrogénio e progestativo. A pílula progestativa, também chamada minipílula, não contém estrogénio. Ambas exigem uma toma regular; os mecanismos incluem alterações do muco cervical e, conforme a formulação, inibição da ovulação.[3]
A pílula progestativa pode ser uma opção em várias situações em que o estrogénio não é adequado, incluindo durante a amamentação, após avaliação. Não é correto considerá-la automaticamente menos eficaz por conter apenas um tipo de hormona.[3][12]
Nem todas as embalagens seguem o esquema 21 + 7
Existem esquemas com pausa, com comprimidos sem hormonas e com toma contínua. Uma embalagem de 28 comprimidos não significa obrigatoriamente 21 ativos e sete placebos. Siga a ordem, os intervalos e as instruções da apresentação prescrita; Qlaira, por exemplo, tem regras próprias.[11][12]
Não escolha a pílula pela cor, pelo número de comprimidos ou pela ideia de que uma marca é “mais forte”. Veja os guias e confirme a adequação com um profissional:
Anel vaginal e adesivo contracetivo
Liberta estrogénio e progestativo através da pele. O esquema habitual utiliza um adesivo por semana durante três semanas, seguido de uma semana sem adesivo. Exige atenção à aderência e à data de mudança.[5]
Liberta hormonas através da parede vaginal. No esquema habitual, fica colocado durante três semanas, seguindo-se uma semana de intervalo antes de inserir outro. A expulsão ou um intervalo excessivo podem comprometer a proteção.[6]
São métodos hormonais combinados: não tomar um comprimido não elimina as precauções relacionadas com o estrogénio. Confirme o esquema e as regras para atrasos no folheto do produto.[10]
DIU de cobre, SIU hormonal e implante
São métodos reversíveis que não dependem de uma toma diária. A colocação e a remoção são feitas por um profissional com formação.[4]
- DIU de cobre: não contém hormonas. Pode tornar as hemorragias mais abundantes ou dolorosas e também pode ser utilizado como contraceção de emergência.
- SIU hormonal: fica no útero e liberta progestativo. Pode ajudar a reduzir hemorragias abundantes, embora possam surgir perdas irregulares.[4][20]
- Implante: fica sob a pele do braço e liberta progestativo. As alterações do padrão de sangramento são um aspeto importante a discutir.
Não é necessário já ter tido filhos para considerar um DIU ou SIU. A duração autorizada varia com o dispositivo e a indicação: guarde a data de colocação e de substituição indicada pelo profissional.[4]
Preservativos e outros métodos sem hormonas
O preservativo pode ajudar a prevenir simultaneamente uma gravidez e infeções sexualmente transmissíveis (IST). A pílula, o anel, o adesivo, o DIU e o implante não oferecem essa proteção contra infeções.
Use um preservativo novo em cada relação, desde o início do contacto genital. Não utilize dois preservativos em simultâneo, nem um externo com um interno. Com preservativos de látex, prefira lubrificantes à base de água ou silicone, evitando produtos oleosos.[7]
Dupla proteção significa associar um preservativo a outro método contracetivo, quando adequado. Saiba mais no guia sobre infeções sexualmente transmissíveis.
E os métodos de observação da fertilidade?
Exigem aprendizagem, registos do ciclo e sinais como temperatura e muco cervical, além de proteção ou ausência de relações vaginais nos dias férteis. Uma aplicação de calendário, por si só, não garante a identificação desses dias. O coito interrompido também apresenta limitações importantes.[8]
A amamentação só pode funcionar como método em condições específicas: bebé com menos de seis meses, ausência de menstruação e amamentação exclusiva, frequente de dia e de noite. Confirme esses critérios com a equipa de saúde.[8]
Efeitos secundários e situações que exigem avaliação
Com a pílula combinada, podem ocorrer perdas de sangue entre hemorragias, náuseas, tensão mamária ou dores de cabeça. Algumas pessoas referem alterações do humor. Se os sintomas persistirem ou forem difíceis de tolerar, peça uma revisão do método.[13]
Os métodos com estrogénio não são adequados para todas as pessoas. Enxaqueca com aura, antecedentes de trombose, hipertensão e tabagismo a partir dos 35 anos são exemplos que exigem especial atenção. Informe também sobre doença hepática, cancro da mama, cirurgia ou imobilização e parto recente.[9][10]
Os contracetivos hormonais combinados aumentam o risco de coágulos, embora este continue baixo em termos absolutos. O risco varia com o produto e os fatores individuais; uma marca não deve ser escolhida apenas com base na experiência de outra pessoa.[10]
Esquecimento da pílula, vómitos ou falha do método: o que fazer?
A resposta depende do produto e do que aconteceu. Não existe uma regra de atraso aplicável a todas as pílulas, nem o mesmo procedimento para um adesivo descolado e um anel expulso.[5][6][11][12]
- Identifique o método: nome, apresentação, hora prevista e número de tomas ou mudanças em falta.
- Consulte o folheto e peça orientação: indique quando ocorreram as últimas relações sem preservativo. Use preservativo enquanto esclarece se a proteção ficou comprometida.
- Avalie a necessidade de contraceção de emergência no próprio dia: não espere pela próxima hemorragia se existiu uma relação de risco.[14][16]
Vómitos pouco depois da toma ou diarreia importante podem afetar a absorção da pílula. Alguns medicamentos para epilepsia, tuberculose ou VIH e produtos como o hipericão também podem interferir. Apresente a lista completa de medicamentos e suplementos ao farmacêutico ou médico.[3][11][12]
Contraceção de emergência: agir sem esperar
Após uma relação sem proteção, rotura do preservativo ou falha de outro método, procure aconselhamento o mais cedo possível. “Pílula do dia seguinte” não significa que deva esperar pelo dia seguinte.
| Opção | Prazo após a relação de risco | Aspeto importante |
|---|---|---|
| Levonorgestrel | Até 72 horas | Tomar o mais cedo possível.[15] |
| Acetato de ulipristal | Até 120 horas, ou cinco dias | Interage com a retoma de métodos hormonais.[14][15] |
| DIU de cobre | Em regra, até cinco dias | É a opção de emergência mais eficaz; exige avaliação e colocação clínica.[14] |
Mesmo que tenham passado mais de cinco dias, peça avaliação: a possibilidade de colocar um DIU pode depender também da estimativa da ovulação. Informe sobre todas as relações de risco no ciclo.[19]
As pílulas de emergência atuam sobretudo atrasando ou impedindo a ovulação e não interrompem uma gravidez já estabelecida. Não protegem relações posteriores.[14][16]
Como retomar a contraceção habitual?
Após levonorgestrel, pode geralmente iniciar ou retomar o método hormonal de imediato. Após ulipristal, a orientação habitual é esperar cinco dias e retomar no sexto. Use preservativo ou evite relações vaginais durante a espera e até o método voltar a ser eficaz, pelo período indicado para a sua apresentação. Confirme o plano com o profissional.[14]
Faça um teste de gravidez três semanas após a última relação de risco. Se vomitar nas primeiras horas após a pílula de emergência, contacte prontamente o farmacêutico: pode precisar de outra dose.[16]
Acesso, consulta e preço dos contracetivos em Portugal
A consulta de planeamento familiar no SNS é gratuita. Muitos métodos e dispositivos são fornecidos ou colocados gratuitamente nestas consultas. Contacte o centro de saúde para conhecer as opções e marcar o acompanhamento.[1][17]
A consulta é confidencial. As pessoas jovens também podem procurar informação e acompanhamento, incluindo sem uma pessoa adulta a acompanhar, de acordo com a informação do IPDJ.[17]
A contraceção de emergência hormonal está disponível sem receita nas farmácias e em estabelecimentos autorizados; também é gratuita no SNS, nas consultas de planeamento familiar. Uma situação urgente não deve aguardar por uma consulta de rotina.[1]
Fora do fornecimento pelo SNS, o custo depende do produto, da embalagem e, nos dispositivos, dos atos de colocação e remoção. Confirme o valor e a disponibilidade atuais. Uma marca mais cara não garante melhor proteção ou tolerância.
Leve o nome do método atual, a lista de medicamentos, os efeitos sentidos e as dúvidas sobre hemorragias, rotina ou gravidez futura.
Consultar os guias disponíveisGuias de contracetivos no Alfadoc
Consulte informação mais específica sobre os produtos. Estas fichas não constituem uma recomendação para iniciar ou trocar o método.
Dianette: não escolher apenas para contraceção
A associação de ciproterona e etinilestradiol destina-se a situações específicas de acne moderada a grave relacionada com androgénios ou hirsutismo. Na acne, é reservada para quando outras terapêuticas falharam. Tem efeito contracetivo, mas não deve ser usada apenas com esse objetivo nem associada a outro contracetivo hormonal. Se já a utiliza, reveja a indicação com o médico antes de alterar o tratamento.[18]
Ler o guia de DianetteTransparência comercial: as fichas individuais podem conter ligações de afiliado identificadas. A escolha do método deve basear-se na adequação clínica e nas suas preferências.
Perguntas frequentes sobre contraceção
Qual é o método contracetivo mais eficaz?
Entre os métodos reversíveis, o implante e os dispositivos intrauterinos mantêm eficácia superior a 99% em utilização típica. A escolha também depende das contraindicações, da tolerância e das preferências.[2]
A minipílula é menos eficaz do que a pílula combinada?
Não necessariamente. A pílula progestativa pode ultrapassar 99% de eficácia com utilização correta. Respeitar a toma e as regras da apresentação é essencial.[12]
A pílula protege contra infeções sexualmente transmissíveis?
Não. Para reduzir o risco de IST, utilize preservativo, mesmo que já tenha outro método para prevenir uma gravidez.[7]
É possível usar um DIU sem ter tido filhos?
Sim. Nunca ter tido filhos não impede, por si só, a utilização de um dispositivo intrauterino. A adequação e a colocação são avaliadas por um profissional.[4]
A pílula provoca sempre aumento de peso?
Não. Não há evidência de que a pílula combinada provoque aumento de peso de forma generalizada. Se notar alterações que a preocupam, discuta-as na consulta; não extrapole este dado para todos os métodos hormonais.[13]
Posso confiar apenas numa aplicação do ciclo menstrual?
Uma previsão por calendário não confirma a ovulação. Os métodos de observação da fertilidade exigem aprendizagem e registos consistentes; uma aplicação isolada não substitui esses cuidados.[8]
Posso comprar a pílula de emergência sem receita em Portugal?
Sim. A contraceção de emergência hormonal está disponível sem receita nas farmácias e em estabelecimentos autorizados. Procure aconselhamento rapidamente para escolher a opção adequada.[1]
Como sei quando estou protegida depois de iniciar a pílula?
Depende da apresentação, do momento do ciclo e do método anterior. Pode ser necessário usar preservativo durante um período inicial. Confirme as instruções do folheto e do profissional, sobretudo nas mudanças de método ou após contraceção de emergência.[11][12][14]
Fontes e transparência editorial
Referências consultadas em 18 de outubro de 2026. As regras de acesso em Portugal baseiam-se na DGS e no IPDJ. As fontes do NHS são utilizadas para informação clínica; as regras britânicas de dispensa não são transpostas para Portugal.
- DGS · ContraceçãoEscolha informada e acesso a métodos no SNS.
- NHS · Eficácia dos métodosEstimativas de utilização típica e correta no primeiro ano.
- IPDJ · Pílula contracetivaTipos de pílula, utilização e precauções.
- IPDJ · Métodos de longa duraçãoDIU, SIU e implante; características e colocação.
- IPDJ · Adesivo contracetivoMétodo hormonal semanal.
- IPDJ · Anel vaginalUtilização do anel e esquema habitual.
- NHS · PreservativoUtilização e proteção contra infeções.
- NHS · Métodos de observação da fertilidadeAprendizagem, limitações e amenorreia da lactação.
- NHS · Quem pode usar a pílula combinadaFatores de risco e situações que exigem avaliação.
- EMA · Contracetivos hormonais combinadosRisco de tromboembolismo e sinais de alarme.
- NHS · Como tomar a pílula combinadaEsquemas, embalagens e interações.
- NHS · Pílula só com progestativoUtilização e diferenças entre apresentações.
- NHS · Efeitos e riscos da pílula combinadaEfeitos indesejáveis e avaliação da tolerância.
- OMS · Contraceção de emergênciaDIU de cobre, mecanismo e retoma da contraceção.
- NHS · Pílula de emergênciaPrazos de levonorgestrel e acetato de ulipristal.
- Devon Sexual Health, NHS · EmergênciaTeste de gravidez e seguimento após uma relação de risco.
- IPDJ · Consulta de planeamento familiarAcesso gratuito, confidencialidade e acompanhamento.
- EMA · Ciproterona e etinilestradiolIndicações específicas de Dianette, Diane 35 e medicamentos equivalentes.
- Rotherham NHS · Contraceção de emergênciaAvaliação do prazo para colocação do DIU de cobre.
- NHS · Sistema intrauterino hormonalCaracterísticas e efeito nas hemorragias menstruais.
Conteúdo informativo da Alfadoc. Não substitui uma consulta, uma prescrição ou o folheto da apresentação utilizada. A escolha e o seguimento do método devem ser personalizados.