Guia de saúde · Gestão do peso
Obesidade: causas, IMC e tratamentos em Portugal
Compreenda o que influencia o peso, como interpretar o IMC e que opções existem para cuidar da sua saúde. Um guia para preparar a consulta e conhecer os tratamentos.
Conhecer as opções de tratamentoComo interpretar o IMC
A escolha de um tratamento depende da sua saúde e dos seus objetivos.
Atualização editorial: · Consultar fontes
O que é a obesidade?
A obesidade é uma doença crónica e multifatorial, caracterizada por acumulação de gordura corporal que pode comprometer a saúde. Resulta da interação entre fatores biológicos, sociais, ambientais e comportamentais. A abordagem deve considerar a pessoa, as suas circunstâncias e as suas necessidades.[1]
Nos adultos, um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m² corresponde à classificação habitual de obesidade. Contudo, este número não revela, por si só, a distribuição da gordura, a massa muscular ou a existência de complicações.[1] [3]
O objetivo do tratamento é melhorar a saúde e a qualidade de vida. Isso inclui reduzir riscos, facilitar as atividades do dia a dia e construir um plano que possa ser acompanhado ao longo do tempo.
Como calcular o IMC e interpretar o resultado
O IMC relaciona o peso com a altura. É uma ferramenta inicial de avaliação, que deve ser interpretada juntamente com a história clínica e outras medições.[1] [3]
Exemplo: 70 kg e 1,75 m correspondem a 70 ÷ (1,75 × 1,75) = 22,9 kg/m².
| IMC, em kg/m² | Classificação |
|---|---|
| Inferior a 18,5 | Baixo peso |
| 18,5 a menos de 25 | Intervalo de referência habitual |
| 25 a menos de 30 | Pré-obesidade ou excesso de peso |
| 30 a menos de 35 | Obesidade de classe I |
| 35 a menos de 40 | Obesidade de classe II |
| 40 ou superior | Obesidade de classe III |
Tabela para adultos; não deve ser aplicada diretamente a crianças ou durante a gravidez.[2] [3]
Porque é importante avaliar também a cintura?
A gordura abdominal pode acrescentar risco cardiometabólico. O perímetro da cintura ajuda a completar a avaliação, incluindo em pessoas cujo IMC está dentro do intervalo de referência. Em pessoas muito musculadas, o IMC pode sobrestimar a gordura; nas pessoas mais velhas, exige atenção à perda de massa muscular.[3] [4]
Quais são as causas da obesidade?
O aumento da gordura corporal envolve o balanço energético ao longo do tempo, mas os fatores que influenciam esse balanço são diversos. Podem coexistir:[5] [6]
- Predisposição biológica e genética: influência no apetite, na saciedade e no armazenamento de gordura.
- Ambiente e condições de vida: acesso a alimentos, horários de trabalho, rendimento e oportunidades para atividade física.
- Hábitos e sono: padrão alimentar, tempo sedentário e sono insuficiente.
- Saúde emocional: stress e algumas perturbações alimentares podem dificultar a gestão do peso.
- Doenças e medicamentos: algumas alterações hormonais e determinados tratamentos podem favorecer aumento de peso.
Se o peso aumentou após iniciar um medicamento, fale com o profissional que o prescreveu. Não interrompa o tratamento por iniciativa própria. A avaliação pode identificar alternativas ou formas de reduzir esse efeito.[5]
Que problemas de saúde podem estar associados?
A obesidade pode aumentar a probabilidade de diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardiovascular, apneia obstrutiva do sono, gordura no fígado, artrose e alguns tipos de cancro. O risco varia entre pessoas e depende de outros fatores, como idade, distribuição da gordura e doenças existentes.[7]
Também pode haver dificuldades de mobilidade, alterações da fertilidade e problemas de função sexual. Quando existe disfunção erétil, é importante procurar avaliação específica, sem atribuir automaticamente o problema ao peso.[7]
O estigma e a discriminação podem afetar o bem-estar psicológico. Ansiedade, depressão ou episódios de ingestão alimentar com perda de controlo merecem apoio próprio, em qualquer fase do tratamento.[7]
Como é feita a avaliação clínica?
A consulta ajuda a perceber a evolução do peso, as complicações e os tratamentos adequados. Pode incluir medição da tensão arterial e da cintura, análise dos medicamentos habituais e exames escolhidos conforme a situação clínica.[2] [3]
Anote quando o peso começou a mudar, tentativas anteriores, efeitos dos tratamentos, doenças e medicamentos utilizados.
Por exemplo: caminhar com mais facilidade, dormir melhor ou controlar a diabetes. Partilhe dificuldades práticas e preocupações.
Informe o profissional se tem ressonar intenso, pausas respiratórias durante o sono, sonolência diurna, dor que limita o movimento ou sofrimento emocional. Estes problemas podem precisar de avaliação específica.[7]
Alimentação, atividade física e apoio psicológico
Uma alimentação adaptada à sua vida
Um plano alimentar deve ser nutricionalmente adequado e compatível com as suas preferências, rotina e possibilidades. Medidas úteis incluem aumentar hortícolas, fruta, leguminosas e cereais integrais, escolher fontes de proteína adequadas e reduzir bebidas açucaradas.[4]
O nutricionista pode ajudar a ajustar quantidades e horários. Dietas muito restritivas não são adequadas para toda a gente e, quando indicadas, exigem supervisão. Não existe uma quantidade única de calorias apropriada para todos os leitores deste guia.[3] [4]
Movimento progressivo e acessível
A atividade física traz benefícios para a saúde, mesmo quando a balança muda pouco. Comece com algo compatível com a sua capacidade, como caminhadas curtas ou exercícios adaptados, e aumente gradualmente. Reduzir períodos longos sentado também pode ajudar.[4] [6]
Como referência geral, os adultos devem procurar pelo menos 150 minutos de atividade aeróbia moderada por semana e fortalecimento muscular em dois ou mais dias. O plano deve ser adaptado se houver limitações ou doença.[6]
Sono e saúde emocional fazem parte do plano
Procure horários de sono regulares e apoio para lidar com stress ou dificuldades alimentares. O acompanhamento psicológico pode ajudar a identificar obstáculos e a desenvolver estratégias sustentáveis. Pedir apoio é uma parte válida dos cuidados.[3] [5]
Que medicamentos existem para a obesidade?
Os medicamentos podem integrar a abordagem quando há indicação clínica. A escolha considera benefícios esperados, contraindicações, efeitos secundários, outros tratamentos e possibilidade de acompanhamento.[8]
| Medicamento | Como atua | Pontos a conhecer |
|---|---|---|
| Xenical Orlistato 120 mg | Reduz a absorção de parte da gordura dos alimentos. | Sujeito a receita. Pode causar fezes oleosas, gases e urgência em defecar.[9] |
| Alli Orlistato 60 mg em cápsulas | Atua sobre a digestão da gordura, com uma dosagem diferente. | A autorização europeia contempla adultos com IMC ≥ 28. Exige avaliação de interações e contraindicações.[10] |
| Wegovy Semaglutido | Atua no recetor GLP-1, ajudando a regular o apetite e a saciedade. | Sujeito a receita. Entre os efeitos frequentes estão náuseas, vómitos, diarreia e obstipação.[11] |
| Mounjaro Tirzepatida | Atua nos recetores GIP e GLP-1 e ajuda a reduzir o apetite. | Sujeito a receita. Pode causar efeitos gastrointestinais; a associação com certos antidiabéticos aumenta o risco de hipoglicemia.[12] |
Lista de exemplos, não exaustiva. A autorização europeia não confirma stock, apresentação comercializada, comparticipação ou elegibilidade no SNS. Todos exigem respeito pelas condições de utilização.
Para a gestão do peso em adultos, Wegovy e Mounjaro têm indicação europeia com IMC ≥ 30, ou IMC ≥ 27 e inferior a 30 quando existe pelo menos uma doença associada ao peso. São utilizados com alimentação de menor valor energético e atividade física; o IMC, isoladamente, não determina a prescrição.[11] [12]
Xenical e Alli: qual é a diferença?
Xenical e Alli contêm orlistato, mas diferem na dosagem e nas condições de utilização. O orlistato não reduz diretamente o apetite: atua no tubo digestivo, diminuindo a absorção de parte da gordura ingerida.[9] [10]
Xenical

Opção sujeita a receita. Conheça a utilização, os efeitos secundários e os cuidados descritos na ficha do medicamento.
Consultar o guia de XenicalAlli / orlistato
As cápsulas têm uma dosagem inferior à de Xenical. A informação europeia prevê dispensa sem receita, mas isso não elimina as contraindicações nem confirma disponibilidade atual em Portugal.[10]
Consulte as particularidades do tratamento e confirme na farmácia se existe uma apresentação adequada para si.
Consultar o guia de AlliCom orlistato, refeições mais ricas em gordura podem agravar os efeitos intestinais. É necessário verificar interações e a possibilidade de alterações na absorção de vitaminas. Não utilize Xenical e Alli em simultâneo.[9] [10]
As ligações acima conduzem às fichas Alfadoc. A informação sobre um produto não constitui recomendação individual nem garantia de prescrição.
Quando pode ser considerada a cirurgia bariátrica?
A cirurgia bariátrica ou metabólica é uma opção para pessoas selecionadas, após avaliação especializada. A equipa considera a gravidade da doença, as complicações, os tratamentos anteriores e os benefícios e riscos individuais.[2] [13]
Em Portugal, a referenciação segue critérios clínicos definidos no percurso de cuidados da DGS. Um valor de IMC não substitui essa avaliação. Entre as técnicas utilizadas estão o bypass gástrico e a gastrectomia vertical, também chamada sleeve.[2] [13]
O plano inclui preparação e acompanhamento posterior. A alimentação, a monitorização nutricional e a suplementação indicada pela equipa continuam a ser importantes depois da operação.[2]
Que resultados esperar e como manter os progressos?
Os resultados variam com a situação clínica e o tratamento. Uma redução moderada do peso pode melhorar indicadores de saúde; não é necessário atingir imediatamente um IMC de referência para obter benefícios.[4] [8]
Avalie com a equipa também a tensão arterial, a glicemia, o sono, a mobilidade e a qualidade de vida. As metas devem ser individualizadas, sem comparar o seu percurso com fotografias de outras pessoas ou promessas comerciais.[2]
É possível recuperar peso depois de parar um medicamento?
Sim. A recuperação de parte do peso é possível após a interrupção. O seguimento ajuda a manter hábitos, reavaliar sintomas e ajustar o plano. A duração do tratamento depende da resposta, tolerância e regras do medicamento; não é igual para todos.[8]
Na consulta de revisão, explique o que funcionou, os efeitos indesejáveis, os custos e as dificuldades de continuidade. Isso ajuda a escolher os próximos passos.
Como procurar tratamento para a obesidade em Portugal?
Um primeiro passo é marcar consulta nos cuidados de saúde primários. O percurso português prevê articulação com profissionais de nutrição, psicologia e equipas hospitalares, de acordo com as necessidades e os critérios de referenciação.[2]
Antes de iniciar uma opção, confirme com a equipa e a farmácia:
- Se o tratamento é adequado à sua situação e que seguimento exige.
- Qual a apresentação disponível e se necessita de receita.
- O custo do medicamento, das consultas e de outros cuidados.
- As condições de acesso e eventual comparticipação aplicáveis ao seu caso.
Cuidados ao procurar medicamentos na internet
Verifique se a farmácia ou o vendedor está autorizado. Na União Europeia, o logótipo comum deve ser clicável e conduzir ao registo da entidade na autoridade nacional. Uma imagem do logótipo, por si só, não basta. Em Portugal, a autoridade é o Infarmed.[14] [15]
As regras de venda variam por país. Evite decidir com base em promessas de emagrecimento rápido ou de acesso garantido a um medicamento. Pode começar por consultar os guias de Xenical e Alli / orlistato para preparar perguntas para a consulta.
Perguntas frequentes sobre obesidade
Qual é a diferença entre excesso de peso e obesidade?
Na classificação habitual de adultos, o IMC entre 25 e menos de 30 corresponde a pré-obesidade ou excesso de peso; a partir de 30 corresponde a obesidade. A avaliação da saúde deve considerar também a cintura, as doenças e a capacidade funcional.[1] [3]
O IMC é suficiente para saber se preciso de tratamento?
Não. É um indicador inicial, com limitações. O profissional avalia a história clínica, a distribuição da gordura, a massa muscular, as complicações e os seus objetivos antes de propor cuidados.[3]
Qual é o melhor medicamento para emagrecer?
Não existe uma opção ideal para todas as pessoas. A escolha depende da indicação clínica, dos benefícios esperados, das contraindicações, da tolerância, de outros medicamentos e das condições de acompanhamento.[8]
Xenical e Alli são o mesmo medicamento?
Ambos contêm orlistato, mas Xenical tem cápsulas de 120 mg e Alli tem cápsulas de 60 mg, com condições de utilização diferentes. Não devem ser usados em simultâneo.[9] [10]
Wegovy e Mounjaro substituem a alimentação e a atividade física?
Não. A indicação europeia para gestão do peso prevê a sua utilização com alimentação de menor valor energético e aumento da atividade física, num plano acompanhado por profissionais.[11] [12]
É possível recuperar peso depois de interromper o tratamento?
Sim, pode haver recuperação de peso após parar um medicamento. A interrupção e os passos seguintes devem ser planeados com a equipa. O acompanhamento ajuda a reavaliar as necessidades e a manter os progressos.[8]
As crianças podem usar a tabela de IMC dos adultos?
Não. Nas crianças e adolescentes, o IMC é interpretado segundo a idade e o sexo, com referências de crescimento. A avaliação e o tratamento devem ser adaptados à fase de desenvolvimento.[1]
Preciso de esperar por complicações para pedir ajuda?
Não. Pode procurar avaliação quando o peso o preocupa ou afeta o seu dia a dia. A consulta permite identificar riscos e discutir opções de prevenção e tratamento adaptadas à sua situação.[3]
Fontes e transparência editorial
Atualização editorial: 18 de outubro de 2026. Guia dirigido sobretudo a adultos. As fontes regulamentares devem ser consultadas em conjunto com o folheto da apresentação efetivamente dispensada.
- OMS: obesity and overweightDefinição, critérios gerais e abordagem da doença.
- DGS: Percurso de Cuidados Integrados para a Pessoa com Obesidade, 2025Organização dos cuidados, avaliação e referenciação em Portugal.
- NHS: overweight and obesity in adultsAvaliação, limites do IMC e apoio ao tratamento. As regras britânicas de acesso não são aplicadas a Portugal.
- NIDDK: health tips for adultsAlimentação, atividade física e objetivos de saúde.
- NIDDK: factors affecting weight and healthInfluência do ambiente, sono, medicamentos, doenças e genética.
- NHLBI: overweight and obesity, causes and risk factorsFatores de risco e recomendações gerais de atividade física.
- NIDDK: health risks of overweight and obesityComplicações físicas, função sexual e saúde mental.
- NIDDK: prescription medications to treat overweight and obesityPrincípios de decisão e seguimento. As autorizações americanas não são transpostas para Portugal.
- EMA: XenicalOrlistato 120 mg: informação regulamentar europeia e documentação do medicamento.
- EMA: AlliOrlistato: apresentações, indicações e precauções na União Europeia.
- EMA: WegovySemaglutido: indicação europeia, mecanismo e segurança.
- EMA: MounjaroTirzepatida: indicação europeia para gestão do peso e segurança.
- NHS: what is weight loss surgery?Informação geral sobre cirurgia bariátrica; critérios britânicos não utilizados neste guia.
- Comissão Europeia: logótipo para venda de medicamentos onlineComo verificar a ligação ao registo oficial da farmácia ou vendedor.
- SNS 24: compra de medicamentos na internetVerificação de entidades autorizadas em Portugal.
A avaliação clínica ajuda a escolher objetivos e tratamentos com acompanhamento. Use este guia para preparar a conversa com a sua equipa de saúde.
Informação complementar: Xenical e Alli / orlistato.
O Alfadoc disponibiliza informação editorial, que não substitui uma consulta. Algumas fichas de medicamentos incluem ligações de afiliado identificadas.