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Saúde sexual · Guia de opções

DST e IST: sintomas, testes e tratamentos em Portugal

Saiba reconhecer sinais, preparar o rastreio e procurar cuidados adequados, com ou sem sintomas.

RastreioPrevençãoFontes clínicas
Ilustração sobre saúde sexual, arquivo Alfadoc
Informação e acesso a cuidados, sem julgamento.
Alfadoc · Guia informativo · Fontes consultadas em 18/10/2026

DST ou IST: o que significa?

IST significa infeção sexualmente transmissível. O termo inclui infeções que podem existir sem sintomas. DST, ou doença sexualmente transmissível, continua a ser uma expressão muito pesquisada, mas não descreve todas as situações.[1]

A transmissão pode ocorrer em relações vaginais, anais ou orais. Algumas infeções também se transmitem pelo sangue ou durante a gravidez, parto ou amamentação. O risco depende da infeção e do tipo de contacto.[1]

Sentir-se bem não exclui uma IST. O aspeto de uma pessoa ou a ausência de lesões não substituem o rastreio. A consulta deve ser um espaço de cuidado, sem julgamento.

Exposição recente: quando é urgente agir?

A PPE é uma intervenção de emergência, não uma proteção de rotina contra todas as IST. Mesmo se já passaram 72 horas, procure orientação para rastreio e acompanhamento. Após violência sexual, procure cuidados urgentes, incluindo avaliação das necessidades de prevenção e apoio.[2]

Uma dor testicular súbita e intensa ou dor pélvica intensa com febre justificam avaliação urgente, porque podem ter causas que precisam de tratamento rápido. Na gravidez, comunique prontamente uma possível exposição ou sintomas ao profissional que a acompanha.

Quais são os sintomas possíveis?

Podem surgir corrimento diferente do habitual, ardor ao urinar, feridas, bolhas, verrugas, comichão, erupção cutânea ou sangramento fora do habitual. Pode também haver sintomas anais. Estes sinais não permitem identificar, por si só, qual a infeção.[3]

Muitas IST não causam sintomas. Não espere por manifestações visíveis para pedir aconselhamento após uma exposição ou se um parceiro comunicar um diagnóstico.[3]

Na consulta, descreva o que mudou, quando começou e os locais de contacto. A informação ajuda a escolher os testes, sem pressupor uma causa pela aparência.

Principais infeções: o que importa distinguir

Exemplos de IST e abordagem geral
InfeçãoO que saber
Clamídia e gonorreiaInfeções bacterianas, frequentemente sem sintomas, que exigem tratamento adequado.
SífilisInfeção bacteriana tratável. O desaparecimento de uma lesão não prova cura.
TricomoníaseInfeção parasitária tratável com medicação específica.
Herpes genitalInfeção viral com possibilidade de recorrências. Os antivirais ajudam a controlar episódios.
HPVAlguns tipos causam verrugas; outros estão associados a alterações pré-cancerosas.
VIH e hepatite BInfeções virais com acompanhamento e opções de tratamento.

Esta lista não é exaustiva. O tratamento não deve ser escolhido apenas pelo nome de um sintoma ou por uma fotografia.[1][5][6]

Candidose é sempre uma IST?

Não. A candidose vulvovaginal não é habitualmente adquirida por relação sexual. Não deve ser atribuída automaticamente a falta de higiene ou infidelidade. Comichão e corrimento podem ter outras causas, pelo que episódios persistentes ou recorrentes precisam de avaliação.[4]

Que testes fazer e quando?

Os testes dependem da exposição e dos sintomas. Podem incluir urina, sangue ou colheitas locais. Uma amostra genital não avalia automaticamente a garganta ou o reto: explique os locais de contacto para orientar as colheitas.[3]

Um teste negativo logo após o contacto é suficiente?

Não necessariamente. Existe um período de janela entre a infeção e a sua deteção. No VIH, esse intervalo varia com o tipo de teste; pode ser necessário repetir um resultado negativo depois da janela adequada.[7]

Informe se tomou PPE, PrEP ou outros medicamentos. Peça ao serviço que registe:

  • Que infeções estão incluídas nos testes.
  • Que locais foram avaliados.
  • Quando receberá os resultados.
  • Se precisa de repetir algum teste e em que data.

Um resultado reativo de rastreio do VIH necessita de confirmação. Um teste negativo para VIH também não exclui outras IST.[7]

Onde fazer o rastreio em Portugal?

Segundo a DGS, o teste do VIH pode ser realizado nos cuidados de saúde primários, nos Centros de Aconselhamento e Deteção Precoce (CAD) e em centros de rastreio de organizações de base comunitária.[8]

Confirme previamente os horários, necessidade de marcação, testes disponíveis e condições de acesso. Um serviço que realiza teste do VIH pode não disponibilizar todas as colheitas para outras IST.

Se tiver sintomas, peça uma consulta clínica além do rastreio. Perante exposição recente que possa justificar PPE, procure assistência urgente em vez de aguardar uma marcação de rotina.

Como são tratadas as IST?

Clamídia, gonorreia, sífilis e tricomoníase têm tratamentos que podem curar a infeção. O VIH e o herpes podem ser controlados com antivirais; a hepatite B também pode exigir tratamento. Não existe um único medicamento para todas as IST.[1]

Antibióticos: não escolher por conta própria

A escolha depende do agente, local da infeção, gravidez e recomendações clínicas. Na clamídia, a azitromicina não é uma resposta universal para todas as situações; a localização retal, por exemplo, influencia a escolha. Não reutilize uma receita antiga nem partilhe comprimidos.[9]

Consulte o guia de azitromicina para perceber a utilização do medicamento, sem substituir o diagnóstico.

Herpes: controlar episódios e recorrências

Antivirais orais como o aciclovir podem encurtar episódios ou integrar um tratamento supressivo. Não eliminam o vírus do organismo. A abordagem depende da frequência, gravidade e contexto clínico.[5]

Consultar o guia de aciclovir

HPV e condilomas: vacina não é tratamento

As verrugas genitais são habitualmente causadas por tipos de HPV diferentes dos que causam a maioria dos cancros associados ao vírus. Tratar uma verruga não garante eliminar o HPV e podem existir recorrências.[6]

A vacina é preventiva: não trata as verrugas existentes. O rastreio do colo do útero tem um objetivo específico e não equivale a um painel de testes para todas as IST.[6]

As opções para condilomas incluem produtos locais e procedimentos clínicos, escolhidos conforme as lesões. Não aplique medicamentos para verrugas das mãos ou pés na região genital.

Condyline

Informação sobre aplicação e precauções da podofilotoxina.

Consultar Condyline
Warticon

Diferenças entre formulações e cuidados de utilização.

Consultar Warticon

Estas páginas não permitem confirmar uma lesão à distância nem escolher um produto sem avaliação.

VIH não é o mesmo que sida

VIH é o vírus da imunodeficiência humana. Sida designa uma fase avançada da infeção, que o tratamento pode prevenir. Uma pessoa com VIH pode viver uma vida longa e saudável com acesso a tratamento e acompanhamento.[10]

Uma pessoa em tratamento que mantém carga viral indetetável não transmite o VIH por via sexual. Esta informação, conhecida como indetetável = intransmissível, não significa cura e não protege contra outras IST.[10]

A PrEP é uma opção de prevenção do VIH antes de possíveis exposições, para pessoas com indicação clínica. É diferente da PPE após uma exposição. Nenhuma delas substitui o acompanhamento e a avaliação de outras IST.[10]

Depois do diagnóstico: parceiros e acompanhamento

Na clamídia, os parceiros podem precisar de avaliação e tratamento. É necessário respeitar o intervalo sem relações indicado e aguardar que os parceiros sejam tratados. A repetição do teste pode ser recomendada para detetar reinfeção.[9]

Os prazos não são iguais para todas as IST. Peça instruções específicas sobre relações sexuais, tratamento dos parceiros e testes de controlo. O desaparecimento dos sintomas, por si só, não confirma cura.

Prepare perguntas simples para a consulta: “Quem devo avisar?”, “Como posso fazê-lo com segurança?” e “O serviço pode ajudar na comunicação?”. Se teme uma reação violenta, diga-o ao profissional antes de contactar a pessoa.

Como reduzir o risco?

A prevenção combina preservativos e barreiras adequadas às práticas sexuais, rastreio, vacinação quando indicada e tratamento. O preservativo reduz o risco, mas pode não cobrir todas as áreas de pele por onde algumas infeções se transmitem.[1]

Esclareça a sua situação vacinal para HPV e hepatite B. A contraceção hormonal e o dispositivo intrauterino previnem gravidez, mas não substituem a proteção contra IST.

Combine com os parceiros como falar de testes, proteção e sintomas. Ter uma IST não define a pessoa nem permite concluir quando ou com quem ocorreu a transmissão.

Perguntas frequentes sobre DST e IST

Posso ter uma IST sem sintomas?

Sim. A ausência de sintomas não exclui infeção.

Um teste de sangue deteta todas as IST?

Não. A seleção de testes e amostras depende da infeção e dos locais de contacto.

Devo esperar por sintomas depois de uma exposição ao VIH?

Não. A avaliação para PPE é urgente e o tratamento, quando indicado, deve começar o mais cedo possível, até 72 horas.

A vacina do HPV elimina condilomas?

Não. É preventiva e não trata as verrugas já existentes.

Posso tomar azitromicina por prevenção?

Não por iniciativa própria. A escolha de tratamento ou profilaxia exige avaliação clínica.

Fontes e transparência

Fontes consultadas em 18 de outubro de 2026. Informação geral, sem revisão clínica assinada apresentada. As fontes internacionais apoiam as explicações; a avaliação e as orientações clínicas locais determinam os testes e tratamentos.

  1. OMS: infeções sexualmente transmissíveis
  2. CDC: profilaxia pós-exposição ao VIH
  3. NHS: sintomas e testes para IST
  4. CDC: candidose vulvovaginal
  5. CDC: herpes genital
  6. CDC: HPV e verrugas anogenitais
  7. CDC: testes para VIH
  8. DGS: perguntas e respostas sobre VIH
  9. CDC: clamídia
  10. OMS: VIH e sida

O Alfadoc não prescreve nem dispensa medicamentos. Os guias de produtos podem incluir ligações comerciais identificadas nas respetivas páginas.